Marco Fisbhen fala do sucesso da Descomplica, uma das startups investidas pelo Gávea Angels

Em uma das suas aulas sobre resistência do ar em uma queda livre, o professor de física Marco Fisbhen sentiu dificuldade em demonstrar na prática os conceitos da ciência aos alunos. Essa e outras limitações vividas em sala de aula serviram de inspiração para o professor criar uma plataforma inovadora de educação: o site Descomplica, com aulas virtuais em vídeo, que inclui até saltos de paraquedas de um avião. Fisbhen participou do 38º Fórum de associados do Gávea Angels, realizado no dia 10, no Rio de Janeiro, e contou a sua trajetória – que começou com a participação de investidores do grupo.

“O papel do Gávea é de um impacto enorme. Esse foi o nosso primeiro investidor, com o Ernesto Weber e o Antônio Botelho, que impulsionaram e acreditaram no negócio e, sem dúvida nenhuma, todo o empreendedor precisa de alguém ali ao lado tomando o risco junto e colocando capital para fazer o negócio crescer”, considera o empreendedor.

Aos sete anos de existência, o Descomplica já alcançou altos voos e recebeu três aportes, totalizando US$ 13,5 milhões. O primeiro grupo a apostar na então startup foi o Gávea Angels, em novembro de 2012, com R$ 250 mil.  Em seguida, diversos fundos de venture capital investiram no empreendimento a cifra de US$ 1,5 milhão. Entre os fundos está o Valar Ventures, do empresário Peter Thiel, um dos fundadores do PayPal e um dos primeiros a investir no Facebook. Outros investidores que já fizeram aportes foram a Social Capital e a 500 Startups.

O Descomplica foi considerado a terceira empresa mais inovadora da América Latina e a primeira do Brasil, segundo o ranking da revista americana Fast Company. A startup está à frente da Creditas, de crédito online, e do Contabilizei, de contabilidade.

Em sua palestra aos associados do Gávea, Fisbhen explicou o posicionamento da plataforma, que já está consolidada na preparação de candidatos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No ano passado, o Descomplica registrou 32 milhões de visitantes únicos ao site, atraídos por um acervo de 30 mil vídeos.

“Aprender pode ser divertido, mas não quer dizer que tenha que ser fácil. Não dá pra resolver educação, mas a gente pode resolver um problema de cada vez. A gente começou pelo Enem e só vamos avançar quando este problema estiver resolvido. Hoje, qualquer recorte que você faça, seja pela geografia, faixa etária, ou pelo curso, o aluno do Descomplica sempre vai ter nota mais alta do que qualquer outro”, destaca.

Ouça a entrevista completa com o CEO do Descomplica Marco Fisbhen

 

O segredo do sucesso do Descomplica talvez esteja na inspiração do professor, que seguiu estritamente o mercado que já conhecia e dominava profissionalmente.

“É uma consequência muito natural do meu background. Eu fiz Engenharia de Produção, que é muito focada em negócios, mas também desde novo sou monitor e professor de física de cursinho. É claro que no início não pensei nisso, mas naturalmente depois as coisas se juntaram. Pude aliar a minha experiência em Física, educação e em cursinho preparatório com o meu conhecimento sobre tecnologia e negócios da engenharia e traduzir isso em um produto para internet”, conta.

A crise na economia brasileira nem chegou perto do Descomplica. O CEO diz que opera no azul e já realizou a sua primeira aquisição para ampliar as verticais de atuação com a plataforma de cursos online Master Júris, voltada para concursos públicos e para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

“Na crise, quem toma risco se diferencia, quem consegue colocar de pé uma operação no meio da crise vai surfar depois no próximo momento. Os ciclos são reais. Se hoje há crise, daqui a dois anos, o PIB volta a crescer. O que eu diria é: tome risco, encontre parceiros fortes, apresente ao Gávea Angels, seja empreendedor e mude o país”, aconselha.

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